Crítica: Kamen Rider Zero-One (sem e com spoilers)

Da esquerda para a direita: Horobi, Fuwa, Aruto, Izu, Yua e Jin. Não tem pôster com todo mundo 😦

“Hai! Aruto ja nai to!”

A frase que você mais ouvir na série

Faz um bom tempo que não faço análise de séries japonesas aqui, sendo a anterior, Tokusatsu GaGaGa da NHK e como já tinha adaptado os Humagear aqui.

Kamen Rider Zero-One (仮面ライダーゼロワン) é a 30ª entrada da série Kamen Rider e a primeira da era Reiwa e tem a história de Aruto Hiden (Fumiya Takahashi), que herda a empresa Hiden Intelligence do avô após o falecimento deste, o que ele não queria, já que objetivava ser comediante de manzai mas sem a mínima competência para isto. Ele também herda a capacidade de se tornar o Kamen Rider Zero-One e entra no fogo cruzado entre a agências: AIMS e o grupo de hackers Humagears MetsubouJinrai.net que desejam o fim da humanidade e o domínio Humagear do mundo. Aruto é auxiliado pela sua assistente, uma Humagear do tipo secretária, Izu (ou Is, Noa Tsurushima).

E quem são os Humagear? Os Humagear são uma forma de AI dedicada exclusivamente aos serviços que humanos não querem fazer. Eles possuem uma série de restrições e categorias, mas tem dois detalhes adicionais: olhos claros (geralmente azuis) e fones especiais (que podem ser retirados), além de uma pequena tatuagem situada atrás da mão. Eles são os principais alvos de todos os lados desta guerra: a Hiden (e Aruto por tabela) por ser a criadora e mantenedora deles, a MetsubouJinrai.net que hackeia os Humagear e os transformando em Magia enquanto a ZAIA luta para que os eles parem com seu plano.

Nessa galera, todos têm ProgriseKey que permitem a transformação em Kamen Rider, são dispositivos que se parecem com fitas cassete com temas de animais, na primeira fase temos o Aruto se tornando o Kamen Rider Zero-One, os membros da Zaia, Isamu Fuwa (Ryutaro Okada) se tornando Kamen Rider Vulcan e Yua Yaiba (Hiroe Igeta) se tornando a Kamen Rider Valkyrie e os hacker Horobi (Shuya Sunagawa) se tornando o Kamen Rider Horobi e Jin (Daisuke Nakagawa) se tornando Kamen Rider Jin. Durante a série há outros Kamen Riders importantes.

As séries de tokusatsu possuem três objetivos: vender brinquedos, ensinar lições para as crianças no Domingo de manhã (no caso dos Super Sentai e Kamen Rider, Ultraman atualmente é Sábado de manhã) e de certa forma, revelar atores, já que a maioria sempre ou é novata ou já atuou em séries anteriores da própria Toei ou Tsuburaya. Ainda há outras séries em exibição no Japão como Garo, um pouco mais adulto e a série Girl x Heroine da Takara Tomy) dedicada a garotas, além de muitos heróis locais. Mesmo com a audiência diminuindo (vale muito ler este texto do Arara), as séries continuam forte (ainda que sempre rola o boato de que Super Sentai seja cancelado) e atraindo fãs não apenas no Japão, mas também no mundo, vendo de diversas formas, não apenas pela TV. Isso tudo posto, Kamen Rider Zero-One visa ensinar às crianças sobre tecnologia de uma forma bem simples pra elas (ainda que o roteiro seja muito complexo que o das outras série da mesma franquia) e mostrar que ela tem vantagens e desvantagens, assim como os robôs (aqui, Humagears) podem substituir o trabalho humano, até aonde isso é bom? “No futuro, se eu comprar um robô, ele pode me atacar?” “O robô aspirador é legal, mas sempre será assim?”. Com a criança questionando, ajuda ela a compreender o mundo (e a comprar um monte de progrisekey).

Sim, isso foi uma conclusão. Se você leu até aqui, é a parte sem spoiler, se quiser seguir sem ter visto, esteja a vontade! Vem mais uma conclusão abaixo.

Kamen Rider Zero-One está dividido em quatro arcos: o primeiro que vai até o 16 abrange a apresentação dos personagens e também são focados na MetsubouJinrai.Net, o grupo de hackers. Os quatro primeiros episódios servem para demonstrar o funcionamento do Humagear, além de criar uma rivalidade entre Aruto e Jun Fukuzoe (Kazuya Kojima), o vice-presidente da Hiden que detém um certo ciúme de Aruto ter se tornado o CEO e não ele, isso nesta fase inicial dá a entender que provavelmente ele seria o vilão da série. Outro elemento presente nesta fase (e na maioria das outras) é Aruto tentando fazer piada, mas somente o Fuwa rindo da piada e o próprio Aruto não sabendo disto. Também há a demonstração das várias profissões que os Humagear podem ser como sushiman, comediante, ator… No episódio 13 a Izu chega a se questionar se ela é realmente boa pra ser secretária e é auxiliada pelo irmão detetive Wazu Nazotoku (Kouji Tsujimoto). O episódio 16 (que é de certa forma, de Natal) serve tanto como fim deste arco e início do próximo, apresenta de forma melhor a empresa ZAIA e seu presidente, Gai Amatsu (Nachi Sakuragi) que já vinha fazendo pequenas participações nos episódios anteriores geralmente nas sombras. Jin também morre pela primeira vez neste episódio e aparição do Ark Magia.

O segundo arco vai do episódio 17 ao 29 e é baseado na competição entre a ZAIA e a Hiden, com a primeira querendo comprar a segunda (ainda que sejam empresas de ramos diferentes). É geralmente tido como o período mais chato da série com uma competição em cinco rounds divididas em dois episódios cada envolvendo ikebana (arranjos florais típicos do Japão), vender casa, julgamento, apagar fogo e eleição, sempre entre Humagears, geralmente o perdedor acaba se tornando Magia (o monstro da semana). Destaco o episódio 28 que marca a aparição do rapper MC Che.ck-It-Out interpretado pelo sempre presente no Asaichi (programa matinal da NHK) Jun Soejima. Quem passa a aparecer mais nestes episódios é a Naki, também hacker que começa como um ser de capa e depois revela-se e passa a ter um papel importante no terceiro arco. E nem precisa dizer que o Aruto perde a Hiden Inteligence para o Gai e é obrigado a ter de começar de novo com uma pequena empresa.

O próximo arco, do 30 ao 35.5 é o menor de todos com o Aruto fundando a HIDEN Manufacturing com o objetivo de restaurar Humagears, a Izu passa a ser co-fundadora da empresa, o que é interessante pra um Humagear, já que geralmente eles não têm cargos altos. Nesse período vem a paralisação pelo COVID-19 e entre os episódios 35 e 35.5 são exibidos cinco especiais relembrando episódios anteriores e no episódio 35.5 aparece Azu (Noa Tsurushima) uma Humagear similar a Izu, mas com cabelo grande, que já aparecia na abertura e clama ser secretária do Ark, que começa a série como um satélite senciente que transforma os Humagear em Magia (o monstro da semana) e aos poucos se torna um vilão (Kamen Rider Ark Driver-Zero e Kamen Rider Ark Drive-One) da série. Ao invés de despertar a singularidade (os robôs se tornam “capazes de questionar a sua própria existência e derivar da sua programação inicial” e quando vulneráveis, se tornam Magia) nos outros, desperta em si próprio. No episódio 33, Yua deixa a ZAIA e dá um belo soco na cara de Gai ao por do Sol, Fuwa já tinha saindo no início do arco anterior, tornando-se um aliado importante do Aruto.

O último arco, do 36 ao 45 é focado no Ark e basicamente acaba com a estrutura de Monstro da Semana (Magia) que vinha desde então. Jin obtém a singularidade no 36 e passa a ser um semi-aliado, objetivando destruir tanto a Zaia quanto a MetsubuJinrai.Net e passa a usar um terno, ao contrário da Yua que passa a ter um visual mais casual (ambos ficam melhores nestas roupas, inclusive). Neste arco ocorre também a redenção de Naki, que cede a Progrise Key pra combater a Ark. Também ocorre o oposto: a revelação de que Ark é Aruto, corrompido e depois ele é passada para Horobi. Talvez o momento que todo mundo tinha certeza do que ia acontecer nesta série, acontece: a morte de Izu no episódio 41 pelo Horobi quando esta tentava convencê-lo de não lançar um novo satélite. Após o final é jogado o cliffhanger que é jogado para o filme, enquanto Izu sem memória anterior, Naki passa a pertencer a AIMS junto com a Yua, Horobi e Jin decidem refundar a Metsubunjirai.net, mas como apoio a humanidade.

Por fim, Kamen Rider Zero-One é uma série boa, mesmo tendo dois problemas: a pandemia que resultou na perda de 4 episódios e do arco no qual as empresas entraram em disputa, já que saberíamos que Aruto perderia a empresa e depois retomaria. Com o final da série, ficou entendível que esta não teve um fim ainda e que este será resolvido no fim e a aparição de Kamen Rider Eden (Esu, Hideaki Ito) que será o vilão deste filme. A série continua com o Projeto Thouser 2 e a série de animação Everyone’s Day Life. Quem se destacou na série principalmente foram a Izu, sem dúvidas, já que ela rouba a cena por diversos episódios, a dupla Jin e Horobi como vilões e por vezes, antagonistas entre si, Fuwa pontuou entre duas áreas: a de personagem humorístico, inclusive com a aparição de sua família em um dos episódios e o de principal guerreiro da trama. Tanto a Fuwa quanto Naki tiveram muito destaque, a primeira no início e a última no final, não foi importante a adição da Azu como vilã, mas ela aparece para dar que os outros vilões tivessem uma redenção e a troca de lado, tanto que no final, a Metsubojinrai será reconstruída, mas com objetivo oposto ao anterior e que durou em toda a série. Pro fim, o Aruto foi mais usado como escada para que os outros personagens ganhassem mais importância, mesmo sendo o personagem principal e tendo usado vários uniformes (suits), no final, este não conseguiu seu objetivo, de ser um grande humorista, e este mesmo convertido em vilão quando dominado pelo Ark foi meio desnecessário, por mais que a intenção fosse de plot twist. A morte da Izu, por outro lado, não foi desnecessária, já que não ter a presença desta, ia deixar o Aruto impactado, o que facilitou a possessão. A série é interessante e vale bem a pena de ver e buscar os especiais também. Ela está disponível por fansubs brasileiros (como a NewZect e Tokusatsu Geração Brasil são os que achei) em português, além de também ser achado em inglês pelo KRDL. Agora, estamos no Kamen Rider Saber e como sempre, é capaz que tenha um filme entre os dois, tal qual o Reiwa The First Generation (com o Zi-O, que deve pintar em breve no Brasil).

Um anexo: Confira esta thread feita por Tom Constantine, editor da Toei, ela aborda como foi a produção da série.

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