Os muitos RPGs de Jornada nas Estrelas

“O espaço, a fronteira final.
Estas são as viagens da nave estelar Enterprise.
Sua missão de cinco anos: explorar novos e estranhos mundos, procurar novas formas de vida, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.”

(KIRK, James T., abertura da série clássica)

Ontem estreou o mais novo filme de Star Trek e para aproveitar esse lançamento, fazemos uma retrospectiva completa sobre os RPGs lançados com o tema. A série Star Trek sempre andou de mãos dadas com o RPG, visto que a primeira versão do RPG teve seu lançamento em 1978 e de lá para cá a licença andou por diversas editoras e sistemas. Há inclusive títulos que foram criados usando uma licença alternativa chamada “Prime Directive” (Primeira Diretriz). Aproveitando o lançamento do primeiro filme, faço uma retrospectiva dos jogos lançados lá fora com o título.

Star Trek: Adventure Gaming in the Final Frontier (Jornada nas Estrelas: Jogos de Aventura na Fronteira Final, 1978, Heritage Models)
A Heritage era uma das maiores produtoras de wargames da década de 70 e produziu figuras de ação de Conan e de Senhor dos Anéis, foram os primeiros a adquirir a licença de produtos da Star Trek, produzindo figuras que eram da série original e da série animada. Aproveitando o embalo, eles publicaram o primeiro RPG oficial. ST:AGiFF usava personagens prontos da série (como o First Quest fez) e possuia regras simples: Seis atributos (Força, Destreza, Constituição, Carisma, Sorte e Mentalidade) gerados com 3d6. As armas causavam dano de 1d6 a 6d6 mais Força + Destreza + Bônus de corpo-a-corpo de classe. Para a defesa, realizava-se 1d6 + Sorte + Bônus de corpo a corpo de classe. Havia 6 personagens prontos para jogar: Kirk, Spock, McCoy, Uhura, Chekov, Sulu, Chapel e Scott da série clássica e M’res e Arex da série animada. Essas foram as regras básicas, nas avançadas, muitos equipamentos e descrições das raças alienígenas na qual os jogadores poderiam escolher: Vulcanos, Tellaritas, Andorianos, Orions, Klingons e Romulanos. Da série animada: Caitians e Edoans. Ele ganhou dois artigos em revistas, sendo uma aventura e uma expansão das regras, ambas de forma extra-oficial.

Star Trek role playing-game (Jornada nas Estrelas o RPG, 1983, FASA Corporation)
A FASA adquiriu a licença de Star Trek durante 7 anos, de 1982 a 1989, o qual rendeu duas edições (a foto é da segunda) que foi vendida em caixa, como o era na época: Um manual do Capitão, um manual de orientação do Cadete, um manual de operações do Mestre e dois dados. Porém não foi livre de críticas: Os autores mudaram bastante o mundo em que rola o jogo, como por exemplos os Klingons como uma sociedade paranóica e subdividida em imperial, fusionados com humanos e com romulanos. Num suplemento é revelado o Triângulo: um espaço sem lei situado entre a Federação, o império Romulano e o império Klingon, assim como muitas Classes operadoras de naves. No sistema há sete atributos: Força, Resistência, Destreza, Intelecto, Sorte, Carisma e Potencial Psiônico e poderiam jogar com qualquer humanóide da série clássica, era possível escolher a educação que ele completou (o Millenia usa a mesma ideia), também era possível escolher Raças dos filmes até os primeiros da década de 80. Pela primeira vez há também regras para batalhas de naves na qual cada um dos membros decide uma coisa: O Capitão determina a estratégia, o Engenheiro é o responsável pela gestão e atribuição de poder de diferentes sistemas, tais como armas e escudos, o Timoneiro para disparar armas, o Navegador para gerir escudos defletores, o Encarregado das Comunicações por controle de danos e assim por diante. Esse sistema ganhou um jogo próprio: Starship Tactical Combat Simulator. Esse RPG ganhou muitos suplementos abrangendo até a recente lançado TNG (A Nova Geração) e exclusivamente um suplemento sobre os filmes III e IV. A Paramount revogou a licença em 1989, já que das mudanças citadas só foram corrigidas a partir da empresa em 1988 e 1989, ganhando finalmente consistência com a série. Mesmo assim, os fãs não gostaram dese cancelamento.

Enterprise – Role Play Game in Star Trek (Enterprise – RPG em Jornada nas Estrelas, 1983, Tsukuda Hobby (Japão))
Publicado exclusivamente no Japão, foi o primeiro RPG publicado sob licença nesse país e também o primeiro título de RPG japonês, que já tinha vários wargames publicados e foi lançado em caixa contendo um livro básico, livro de aventuras, fichas de personagens, D10, D6, catálogo da série e cartão para compras. Cada personagem possui cinco atributos: Força, Destreza, IQ, Carisma e Sorte que são testados com 2d10, há regras para PSI, habilidades especiais e, pasmem, regras para Tendência! Elas são Leal e Bom, Leal e Mal, Neutro, Instável e Mal e Instável e Bom). Para combate são realizados testes de Força x Força e a partir daí, consulta-se uma tabela e resolve-se o combate. Ao que parece, não foram lançados suplementos para esse título.

Mundos da Federação e Manual da Enterprise (The Worlds of the Federation e Mr. Scott’s Guide to the Enterprise, 1989 e 1987 respectivamente (aqui, 1994), Pocket Books, no Brasil, ed. Alpeh)
Não são exatamente livros de RPG, são livros de referência e são apenas alguns dos muitos que saíram (preferí escolher aqueles que foram publicados no Brasil). Mas como a capa do Mundos da Federação denuncia, é totalmente recomendado o uso deles para RPG e foram lançados aqui no Brasil junto com uma série de romances pela editora Aleph. O primeiro livro, Mundos da Federação, escrito e ilustrado por Shane Johnson abrange A Nova Geração, tanto que começa com um prefácio assinado pelo Tenente Comandante Data em primeira pessoa e depois, uma visão histórica de como a Federação Unida dos Planetas surgiu, o sistema de classificação planetária usado no livro e por fim a descrição dos planetas com direito a mapa do sistema, mapa do planeta, a ilustração do ser que o habita e uma descrição histórica que remete tanto a Nova Geração como a série clássica e há a divisão entre mundos membros, mundos neutros e/ou independentes e mundos hostis. O segundo livro, o Manual da Enterprise do mesmo autor, é “assinado” pelo Comandante Montgomery Scott, o escocês da série clássica, e detalha a nave Enterprise e começa falando sobre a reforma dela, com muitas figuras, informações de como funciona o sistema de cores nos uniformes, insígnias com as cores em sistema heráldico, padrão de fontes e logotipos, depois o layout da nave, incluindo até a lista de alimentos devorados na nave, detalhando seção por seção e terminando com a forma de usá-lo em RPGs. Houve ainda um terceiro livro de referência publicado chamado Dicionário da língua Klingon, mas não faz referência ao RPG.

Prime Directive RPG 1st Edition (Primeira Diretriz RPG, 1993, Amarillo Design Bureau)
Prime Directive é uma licença diferente de Star Trek, na qual não aparece o nome Star Trek nem os personagens principais e é isso que acontece aqui, mas Raças e outros fatores são normais. No jogo, são treze atributos: Força, Precisão, Velocidade, Liderança, Lógica, Intuição, Disciplina, Lógica, Intuição, Disciplina, Técnica, Conhecimento Geral e Percepção e são determinadas inicialmente pela Raça, cujas disponíveis são Humano, Vulcano, Rigeliano, Alfa Centauri, Cygnano e Andoriano. A partir daí escolhe-se a função: Comandante, Engenheiro, Combatente de Área Marítima, Cientista, Médico e Psiônico, todas hierarquizadas e na qual cada um tem pré-requisitos a cumprir para assumir essa função. Por fim, muitas Perícias, tantas que lembram a ficha de Cyberpunk 2020, e estas são divididas por Atributo. Por fim, equipamentos ilustrados (mas poucos), backgrounds raciais, NPCs e aventuras. De suplementos, foram publicados um livro da federação e muitas aventuras. Foram publicadas três versões com sistemas diferentes: D6 System (que era para ser lançado em 2008, mas sem informações, é o sistema clássico de Star Wars e que está em processo de liberação) e as mais famosas: GURPS e D20. Logo abaixo abordarei essas duas versões.

Star Trek: The Next Generation Role-playing Game (Jornada nas Estrelas: A Próxima Geração RPG, 1998, Last Unicorn Games)
A Last Unicorn começou a publicar títulos sobre Star Trek em 1998 e publicou até 2001, foram publicadas três séries: The Next Generation, que abrange a Fedração Unidas de Planetas e a frota estrelar, Deep Space Nine que foca nas nações e personagens de fora da FUP e The Original Series que foca no século XXIII. Todos usam o Icon System que foi usado antes pelo RPG do Duna, da mesma editora. Independente da série, cada uma ganhou dos livros: um Core (básico) e um Narrator’s Toolkit (kit do narrador). A TNG ganhou também um livro para os jogadores, assim como foi a série que mais ganhou suplementos. TOS e DSP ganharam apenas um suplemento cada. Os atributos são Fitness (dividido em Força e Vitalidade), Coordenação (Destreza e Reação), Intelecto (Lógica e Recepção), Presença (Força de Vontade e Empatia) e Psi (Extensão e Focus), os personagens são criados a partir de um template como Místico Bajorano, Espião Cardassiano, Ferengi Mercador (exemplos do DS9), além de escolher entre as muitas Perícias (parece que é característica dos jogos) e as Vantagens e Desvantagens. Todos os testes são feitos com d6. Mesmo com cada série tendo um módulo básico próprio, para ter uma visão completa do jogo, era bem mais interessante ter as três em conjunto. Star Trek: TNG ganhou o prêmio de melhor RPG de 1999.

GURPS Prime Directive (GURPS Primeira Diretriz, 2002, Amarillo Design Bureau)
Publicado sob a linha Powered by GURPS que na qual permite que seja publicado o livro junto ao Lite e com bastante material expandido. Baseado no Prime Directive citado acima, ele permite jogadores apenas do primeiro escalão da nave, inclui mapas de várias regiões, mais de 20 templates raciais e também profissionais e regras completas para combate entre naves advindo do GURPS Viagem Espacial. Houveram duas versões publicadas: Uma para 3ª edição e uma para a 4ª (que é a capa aqui). Dois suplementos foram publicados: GURPS Prime Directive: Klingons, GURPS Prime Directive: Romulans e GURPS Prime Directive: Federation. Ainda é vendido aqui.

Star Trek Roleplaying Game (Jornada nas Estrelas RPG, 2002, Decipher)
A Decipher assumiu a linha em 2002 e a levou até 2005, quando fechou o departamento de RPGs, na qual usou o sistema da editora: o CODA, que foi usado também na versão de Senhor dos Anéis RPG, sistema esse que é bem similar ao D20 System e faz uso de 2d6 para testes. Foram publicados seis livros, fazendo uma hexalogia básica: Guia do jogador, do mestre (os mais básicos), seguidos pelo manual da tropa estrelar, naves espaciais, alienígenas e criaturas. Os outros são considerados suplementos: o escudo do narrador, mundos (publicado apenas em PDF) e uma aventura chamada Mirror Universe: Though a Glass Darkly (Universo-Espelho: Atravessando um espelho negro). Há suplementos feitos pro fãs como dos filmes Insurreição (filme IX) e Nêmesis (filme X). Conforme a capa denuncia, o livro aborda todas as quatro séries de Star Trek. São 10 espécies disponíveis: Bajorano, Betazóide, Cardassaliano, Ferengi, Humano, Klingon, Ocampa, Talaxiano, Trill e Vulcano e regras para misturar espécies (afinal, o Dr. Spock é um Meio-Romano) e Profissões: Diplomata, Mercador, Místico, Ladino, Cientista, Soldado, Oficial da Frota (dividido em Comando, Operação e Ciência). Os atributos são Força, Intelecto, Agilidade, Vitalidade, Presença e Percepção e regras para aprimoramento pessoal (você pode ser órfão, filho de diplomata, nômade, psiônico em potencial) que servem como Classes de Prestígio retrógradas. E muitas Perícias na qual agem de forma parecida com o D20. Há também Traços de Personalidade que funcionam como Talentos do D20, que geralmente dão bônus em testes e Falhas como ser arrogante, devotado, possuir inimigos, pacifista… Pode se adotar profissões de elite que são: Adepto, Embaixador, Assassino, Emissário, Explorador, Livre-Comerciante, Inventor, Mercenário, Contrabandista, Forças Especiais, Espiões e Mestre de Armas, assim como ficha das três naves dos capitães da capa.

Prime Directive D20 (Primeira Diretriz D20, 2005, Amarillo Design Bureau)
Assim como os já citados Prime Directive e suas versões GURPS e D6, o D20 não ganhou tão somente uma versão, mas duas: uma para o D20 System e uma para D20 Modern. As espécies entram como Raças e cada uma tem Classes próprias na versão D20, ou as Classes normais modernas no D20 Modern. Ambos ganharam os mesmos suplementos que a versão de GURPS, Klingons, Romulans e Federation, além de ser necessário usar o livro básico do sistema, independente do qual que você escolha. Veja mais sobre aqui. Ao que parece, qualquer empresa contactando a Armadillo pode conseguir a licença para adaptar para seu sistema, o ruim é que o site está parado desde outubro do ano passado.

Fontes: Wikipédia, RicardoOrlandini.Net, Memory Alpha, GrokNard

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7 pensamentos sobre “Os muitos RPGs de Jornada nas Estrelas

  1. Pingback: RPG e Jornada nas Estrelas: As muitas versões « RPG News

  2. Não preciso dizer, Professor Hackbarth, você já fez o trabalho. Eu preferí usar o termo “licença alternativa” e falei um resumo bem mais simples. O seu está bem melhor sobre esse ponto. 😀

  3. Eu tenho o TOS da Last Unicorn. Tem um dos melhores sistemas que já tive a oportunidade de jogar. O TNG também é ótimo, mas o meu cenário favorito é o TOS mesmo.

  4. Pingback: Gurps Star Trek

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